terça-feira, 29 de maio de 2007

Respondemos Sim ao apelo à greve geral!

Para defender a dignidade do nosso trabalho docente!

Para defender um ensino de qualidade para os nossos alunos!

Pela carreira docente única!

Pela revogação do actual ECD!

Respondemos Sim ao apelo à greve geral! estau de qualidade dos alunosicitar a sua posiçamaradas de Paris. Seria como que uma repetiç__________________

Dia após dia, com as limitações próprias do trabalho humano, temos orgulho em procurar pautar o nosso trabalho pedagógico pela procura das melhores respostas para os nossos alunos.

Esforçamo-nos no trabalho individual, combinado e aferido, no quadro das reuniões por equipas, das reuniões gerais de docentes, práticas normais numa escola.

Lamentamos o discurso que desvaloriza os professores, pois aprendemos há muito que os professores e os educadores constituem uma referência simbólica imprescindível numa sociedade democrática. Deitá-los abaixo, denegri-los, é corroer balizas civilizacionais integradoras da coesão cultural de um povo.

Orgulhamo-nos de fazer parte desse grupo profissional de referência, como profissionais livres, socialmente respeitados, construindo – com os outros intervenientes no processo educativo, como os auxiliares da acção educativa, ou os terapeutas – a organização da escola, a quem a sociedade pode confiar a formação dos homens e das mulheres do futuro.

A bateria de medidas que o Governo não parou de pôr em prática, desde que tomou posse – elegendo os professores e outros trabalhadores dos serviços públicos como os bodes expiatórios de uma situação que não foram eles que criaram – não têm servido senão para pôr em causa o desempenho das equipas educativas das escolas.

Estamos sobrecarregados de tarefas e horas lectivas acrescidas, vimos goradas todas as expectativas em termos de progressão na carreira, além de nos ter sido imposto um aumento de anos de serviço para atingir a idade da aposentação, no nosso caso – primeiro ciclo e jardim de infância – numa situação ainda mais injusta, pois nunca tivemos uma redução de componente lectiva.

Apesar de tudo, continuamos a procurar dar o nosso melhor, é impossível não o fazer, quando o nosso “material” são crianças em pleno desenvolvimento.

Mas vemos agora este empenho diário comprometido pelo veneno da divisão, contida novo ECD, dividindo-nos em categorias, nas quais à partida o máximo de 30% poderá ter a esperança de poder chegar ao topo da carreira, estabelecendo ainda uma quota de 5% para os excelentes.

Quem serão eles?

Numa escola de qualidade, não há indivíduos excelentes. Há equipas excelentes, constituídas por todos quantos nelas trabalham – da coordenadora, aos professores e aos auxiliares – procurando cada um dar o seu melhor, desempenhando cada um o seu papel.

Quem serão as crianças que iriam ter a sorte de ter um “professor excelente”? E as outras, que sorte teriam?

Não, não é esta a nossa prática numa sala de aula, não é esta a nossa postura de docentes, na organização da vida da escola. Uma tal filosofia é incompatível com as práticas que nos orgulhamos de assumir.

É por estas razões – e solidários com os colegas sem vínculo, ameaçados mais de perto pelo espectro do desemprego, solidários com os jovens professores que, em vez de fazerem parte dos quadros Ministério da Educação para assegurarem as prática do ensino do Inglês bem como das áreas de expressão física e artística, estão a trabalhar com um recibo verde, mediante quantias baixíssimas – que, no dia 30 de Maio, não iremos trabalhar, juntando-nos aos milhares e milhares que estão do mesmo lado da barricada.

É a nossa dignidade profissional, é o respeito que nos merece a Escola Pública,

bem como a consciência democrática de cidadania, que nos leva a responder positivamente ao apelo da CGTP, da FENPROF, dos sindicatos da Função Pública, fazendo nossas as palavras contidas na moção aprovada na assembleia do SPGL do dia 17 de Maio:

«(…) Contrariar esta política de ataque aos direitos laborais e de cidadania, combater a progressiva desresponsabilização do Estado nas áreas sociais, nomeadamente no campo da Educação e do Ensino, denunciar uma política que está a tornar Portugal cada vez mais pobre e socialmente cada vez mais injusto, exige uma grande adesão dos professores e educadores à Greve Geral que a CGTP convocou para o próximo dia 30 de Maio.

(…) Neste sentido, a Assembleia-Geral de Sócios, reunida no dia 17 de Maio de 2007, decide:

1 - Apelar a todos os Professores e Educadores a que adiram à greve geral convocada pela CGTP para o próximo dia 30 de Maio.

2 - Declarar que a gravidade das medidas políticas do impõe que sejam feitos todos os esforços para um acordo com todos os sindicatos e centrais sindicais no sentido de potenciar a greve geral de 30 de Maio, para que seja desencadeada a mobilização de todos os trabalhadores, condição para que possamos impor de facto uma viragem no curso dos acontecimentos, levando nomeadamente:

a) ao restabelecimento da Carreira Docente única;

b) à retirada da proposta de lei para transformação das instituições do Ensino Superior público em Fundações de Direito Privado;

c) à revogação do Estatuto da Carreira Docente.

3 – Propor que, aproveitando a força que certamente resultará de uma greve geral bem sucedida, seja exigido ao Governo a reabertura de um novo processo negocial tendente à concretização dos pontos atrás enunciados.»

Algés, 29 de Maio de 2007

A Equipa Educativa da EB1 Sofia de Carvalho - Algés

1 comentário:

Paula Montez disse...

Eis como se chegou à greve (notícia para o SPGL) :

"EB1 Sofia de Carvalho – Algés , amanhã dia 30 de Maio terá apenas aberta uma porta lateral, que dá acesso à e por onde entrarão , a Coordenadora da biblioteca e o seu marido , professor com turma e dois apoios educativos.

Todos os outros docentes, 18 no seu conjunto, todas as auxiliares da acção educativa e a terapeuta ocupacional farão greve . Entre estes trabalhadores, há aqueles que têm vínculo e os que não têm.
Esta decisão foi possível após várias peripécias:

Na sexta-feira , dia 25 de Maio, em reunião com todos os docentes, foi decidido fechar a escola e fazer um testemunho , explicando as razões da adesão à greve.
Carmelinda ficou responsável por elaborar um projecto de texto.

Na segunda-feira, dia 28 de Maio, ao intervalo das 10h30 , todos continuavam de pedra e cal decididos a fechar a escola e aprovam o projecto de3 Carmelinda, para enviar para outras escolas.

Terça –feira, 29 de Maio, a decisão de dois docentes de forçar a abertura da escola, apoiados no Conselho Executivo, faz recuar mais dois docentes de apoio educativo e dá-se uma reviravolta. Tudo volta à estaca zero, com um enorme mal estar.
Carmelinda é informada e volta à escola. Tem lugar nova reunião.Após nova discussão decidem de novo fazer greve , deixando que a porta lateral se abra para os furas.

Em anexo está o testemunho dos docentes.

Saudações sindicais
Carmelinda"